Relato: A falácia da pluralidade
- Piratini Monarquista
- 5 de mai. de 2018
- 2 min de leitura
Na manhã de 05/05, participei de um debate na universidade que, inicialmente, era para ser sobre a pichação e o problema entre a liberdade de expressão e a lei. Até aí, nada demais; um discurso comum sobre um problema comum (que a meu ver a lei já responde). No entanto, fui surpreendido com a fala de uma das convidadas, uma doutora na área da sociologia, que não tinha nada a ver com o assunto. Seu discurso começou com uma provocativa ideia que instigava a transgressão da lei, dizendo que o único jeito de se causar mudanças sociais é através da transgressão, da quebra da lei, em prol de uma teórica liberdade de expressão e conquista de direitos. A seguir, comentou sobre diversas questões ditas sociais, tais como CLT, luta de classes, ocupações/reivindicações, etc., terminando com a seguinte afirmação (parafraseando): "O socialismo no Brasil é um caminho longo e o que temos aí está longe de ser 'democracia'".

Depois dessa "reflexão" (que muitos dizem não ocorrer nas universidades), obviamente não podia ficar em silêncio e deixar por isso mesmo. Quando já estavam quase dando por encerrada a palestra, manifestei minha opinião. Fiz declarações contra a falácia da transgressão que ela estava quase que impondo, contando resumidamente a minha história e como consegui chegar à universidade sem quebrar lei alguma, tão-somente estudando; defendi a questão da meritocracia (que, pelo visto, deturparam-na); e comentei sobre as prováveis formas que teria escolhido caso o sistema de bolsas do Programa Universidade para Todos ainda não existisse. Pelas reações e comentários posteriores, para a grande maioria foi um choque ouvir aquilo. E por parte desta doutora e de uma outra professora, foi o cúmulo ouvir tais afirmações. Fui atacado em cada afirmação, mas mesmo assim rebati. Só parou a discussão porque mais dois ou três estudantes resolveram fazer seus próprios esclarecimentos.
Acontecimentos como esse provam que a ideia de que não há doutrinação ou inserção de ideias nas faculdades é pura mentira. Como se percebe nesta situação, o espaço acadêmico foi utilizado para justificar atos ilegais, provocar revoluções civis usando justificativas infundadas, e para incorporar ideias socialistas junto ao corpo estudantil. E a famosa "pluralidade de ideias" foi pro espaço quando coloquei uma posição mais conservadora e de direita. Só quem não quer ver não percebe essa evolução estimulada de pensamento esquerdista nos cursos de graduação e pós-graduação.
Como locais máximos do saber, as instituições de ensino superior tem a obrigação de manter e garantir o livre pensamento, seja ele político, religioso, econômico ou filosófico, sem definir um lado ou posição como instituição (salvo claras e absolutas exceções), promovendo debates e conferências em prol de um desenvolvimento de opinião sóbrio e bem fundamentado. Tem o dever, também, de zelar para que atos de inserção direta de ideias, sem o mínimo debate, sejam evitados, independente da formação do locutor em questão. E acima de tudo, combater qualquer ação de censura ante à expressão LEGAL. Se nada disso for feito, então pode se declarar a morte da liberdade de ideias.
Após essa experiência, posso dizer que ainda estou despreparado em alguns pontos sobre minhas convicções. Mas com certeza nenhum voo hipotético de imaginação social vai "se criar".




Comentários